A maioria das PME tem dados. Faturas, encomendas, horas de trabalho, stock: tudo está algures. O problema não é a falta de informação: é a falta de visibilidade sobre o que realmente importa, no momento certo.

Um bom dashboard não é um relatório com 40 gráficos. É uma página que responde às 5 perguntas que qualquer gestor faz todas as manhãs. Aqui estão as que aparecem em quase todos os projetos que fazemos com PME.


1. Margem real por produto ou serviço

Não a margem teórica que consta na lista de preços. A margem real, depois de descontar materiais, tempo de mão-de-obra, logística e erros. A maioria dos gestores sabe o volume de faturação: poucos sabem onde ganham e onde perdem dinheiro.

O que mostrar no dashboard: margem bruta (%) por família de produto ou tipo de serviço, com comparação ao mês anterior e à meta definida.

2. Dias de stock ou capacidade disponível

Quanto tempo até à rutura de stock? Quantas horas de capacidade de produção ainda disponíveis esta semana? Este indicador evita dois problemas caros: comprar tarde (paragem de linha) ou comprar cedo demais (capital imobilizado).

O que mostrar no dashboard: dias de cobertura por referência crítica, com alertas visuais a vermelho abaixo do threshold definido pela empresa.

3. Prazo médio de recebimento (DSO)

Quantos dias em média passam entre a emissão da fatura e o pagamento? Um DSO elevado é um sinal silencioso de stress de tesouraria. Uma empresa lucrativa pode ter problemas sérios de cash flow simplesmente porque os clientes pagam tarde.

O que mostrar no dashboard: DSO atual vs. meta vs. mesmo período do ano anterior. Com filtro por cliente ou segmento para identificar os que atrasam sistematicamente.

4. Taxa de cumprimento de prazo (OTD)

On-Time Delivery: que percentagem das encomendas ou projetos foi entregue no prazo prometido? Este número afeta diretamente a satisfação do cliente e o custo operacional (horas extra, urgências, penalizações).

O que mostrar no dashboard: OTD semanal e mensal, com detalhe por equipa, linha ou cliente. Os atrasos custam mais do que parecem.

5. Custo por hora produzida (ou por unidade)

O custo real de fazer o que a empresa faz. Não o custo orçamentado: o custo efetivo, que inclui tempos mortos, retrabalho e ineficiências. Quando este número sobe sem que a produção caia, há um problema a investigar.

O que mostrar no dashboard: custo/hora ou custo/unidade por semana, com variação vs. média dos últimos 3 meses.


Como construir este dashboard

Estes 5 indicadores estão disponíveis na maioria das PME: os dados existem, geralmente espalhados por Excel, ERP ou folhas de registo manual. O trabalho é conectar as fontes, limpar os dados e construir uma visualização que qualquer gestor entenda sem formação técnica.

No Power BI, a construção deste painel demora tipicamente 2 a 4 dias de trabalho efetivo, dependendo da qualidade das fontes de dados. O resultado é um dashboard atualizado automaticamente, consultável em qualquer dispositivo.

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